O não-ser e o simbólico nas primeiras obras de Merleau-Ponty

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O não-ser e o simbólico nas primeiras obras de Merleau-Ponty

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Title: O não-ser e o simbólico nas primeiras obras de Merleau-Ponty
Author: Scarpa, Mariana Cabral Tomzhinsky
Abstract: Resumo:Para delinear a gênese do simbólico em Merleau-Ponty, percorremos em suas obras iniciais, A estrutura do comportamento e Fenomenologia da percepção, os elementos que apontam para o surgimento desta ordem e suas implicações na filosofia do autor. Primeiramente, compreendendo a divisão realizada pelo filósofo francês em três grandes estruturas, a física, a vital e a humana, bem como o envolvimento destas ordens com o plano do simbólico. A partir daqui, a presente leitura diverge de alguns comentadores no que tange a abrangência deste novo campo, pois o simbólico para uns, é exclusivo do humano, quando no próprio Merleau-Ponty ele se inicia no plano da adaptação (instrumental) do animal ao seu meio. Assim, veremos a diferença existente entre o campo simbólico que se abre ao animal e o que torna possível ao humano uma multiplicidade perspectiva. Tal ganho humano será realizado não por uma consciência constituinte do mundo, ele virá como movimento do corpo em direção a um mundo que ele nunca abarca, mas que ele não deixa de vivenciar. Num segundo momento, carece entender o papel que o corpo ocupa na filosofia de Merleau-Ponty e contra que perspectivas ele surge. Tendo em vista a necessidade do autor de superar a dicotomia clássica entre sujeito e objeto, signo e significação, alma e corpo; o corpo assumirá o privilégio de ser o sujeito da percepção, o veículo do ser no mundo. Desta forma, o corpo deve possibilitar a imbricação destas esferas antes opostas, ele deve permitir a assunção paradoxal do ser “para-nós” e “em-si”, se expressando como corpo simbólico. Mas será justamente no retorno à experiência primordial de expressão, neste movimento de abertura para o novo, que uma certa “polarização” é requerida para que se dê o nascimento do sentido, e esta abertura será exposta por Merleau-Ponty como “não-ser”. Neste momento a Fenomenologia da percepção pode ser levada a um impasse, pois a postulação de um não-ser instaura uma dupla interpretação no discurso merleaupontiano. De um lado, podemos compreendê-la como inerente ao movimento de expressão criadora, pois para que o novo se engendre é preciso manter uma distância que não seja reconhecida como completa exterioridade e nem mesmo como suporte interior; desta forma, o não-ser seria entendido como uma abertura necessária no âmbito da própria temporalidade, sendo aquilo que impede a expressão de se fixar totalmente, possibilitando o surgimento de significações autênticas. Por outro lado, tal postulação pode ser entendida como reveladora de um impensado em Merleau-Ponty. Como se esta postulação reabrisse o dualismo por meio de um resquício de idealismo que exige ainda a presença de um si indeclinável, uma vez que este não-ser seria compreendido ainda como uma interioridade por meio da qual a experiência é organizada. Por fim, ao tentarmos compreender o movimento temporal, fundamento de todas as descrições merleau-pontianas, é que poderemos entender qual é o sentido que o filósofo confere a esta noção de não-ser (ou de vazio, por oposição a um ser pleno), tendo em vista o projeto de uma fenomenologia da percepção. E com isso, poderemos descobrir se há realmente criação na Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty ou se tudo já está dado de antemão.
URI: http://hdl.handle.net/1884/27345
Date: 2012-05-16

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